Os problemas enfrentados pelo Japão por ter restringido de maneira dura a imigração

Notícia originalmente postada no portal bbc.com
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A incorporação de estrangeiros à força de trabalho no Japão é crucial para reduzir o déficit de trabalhadores

Quando o então primeiro-ministro japonês Yasuhiro Nakasone afirmou em 1986 que o nível intelectual nos Estados Unidos era inferior ao de seu país porque havia uma grande população de negros, porto-riquenhos e hispânicos, suas palavras causaram polêmica entre os americanos.

No Japão, por outro lado, seu comentário (que certamente hoje nenhum governante faria, ao menos publicamente) passou praticamente despercebido. E essa relutância em aceitar pessoas diferentes é algo que foi – e, em menor grau, ainda é – enraizado na sociedade japonesa.

Em parte por causa de seu status como uma ilha, o Japão sempre tendeu ao isolacionismo, e mantém hoje o orgulho de ser uma nação homogênea construída em torno de uma rígida política de imigração.

Enquanto os imigrantes representam 28% da população da Austrália, quase 21% no Canadá e mais de 14% no Reino Unido, são apenas 1,9% dos 126,2 milhões de habitantes do Japão.

Embora essa situação esteja mudando, muitos dos problemas que afligem o país, como o envelhecimento da população, a queda na taxa de fecundidade, a escassez de trabalhadores e a baixa participação das mulheres no mercado profissional, têm se agravado com a falta de imigrantes, argumenta o historiador e cientista americano Jared Diamond em seu último livro Upheaval: How Nations Cope with Crisis and Change (Turbulência: como as nações lidam com crise e mudança, em tradução livre).

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Encceja Exterior 2019: Inscrição de 24 de junho até 5 de julho de 2019

Estão disponíveis o cronograma e as regras do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para residentes no exterior (Encceja Exterior).

O Encceja Exterior é para quem busca a certificação do ensino fundamental ou do ensino médio por não ter tido a oportunidade de concluir os estudos na idade adequada deve ficar atento.

Quem pode participar do Encceja?

Os interessados em tentar o certificado do ensino fundamental devem ter, no mínimo, 15 anos de idade, completos na data da prova. Já para o certificado do ensino médio, a idade mínima exigida é 18 anos.

Inscrição Encceja Exterior 2019

As inscrições, gratuitas, poderão ser feitas de 24 de junho até 5 de julho de 2019, pela internet, no Sistema Encceja Exterior (sistemasEncceja2.inep.gov.br/exterior/)

Provas Encceja Exterior

As provas serão aplicadas no dia 15 de setembro em 18 cidades, de 12 países que são  Bélgica (Bruxelas); Espanha (Barcelona e Madri); Estados Unidos (Boston, Houston, Nova Iorque e Miami); França (Paris); Guiana Francesa (Caiena); Holanda (Amsterdã); Itália (Roma); Japão (Nagoia, Hamamatsu e Tóquio); Portugal (Lisboa); Reino Unido (Londres), Suíça (Genebra) e Suriname (Paramaribo).

Estrutura das Provas

São quatro provas objetivas, cada uma com 30 questões de múltipla escolha, e uma redação. Para a certificação do ensino fundamental, o participante é avaliado em Ciências Naturais; Matemática; Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Artes, Educação Física e Redação; e História e Geografia.

Para o ensino médio, as áreas avaliadas são Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; Linguagens e Códigos e suas Tecnologias e Redação; e Ciências Humanas e suas Tecnologias.

Certificação ou Declaração de Proficiência

A nota mínima exigida é de 100 pontos nas provas objetivas e de 5 pontos na redação. Os resultados do Encceja podem ser usados de duas formas.

O participante que conseguir a nota mínima exigida nas quatro provas objetivas e na redação tem direito à Certificação de Conclusão de Ensino Fundamental ou do Ensino Médio. Já o participante que conseguir a nota mínima exigida em uma das quatro provas, ou em mais de uma, mas não em todas, tem direito à Declaração Parcial de Proficiência.

Encceja Exterior PPL

O edital também apresenta as regras e o cronograma do exame para jovens e adultos submetidos a penas privativas de liberdade no exterior, o Encceja Exterior PPL (Penas Privativas de Liberdade). Nesse caso, a aplicação será apenas em unidades prisionais de Tóquio, no Japão, de 16 a 27 de setembro.

Cronograma Encceja Exterior 2019

  • 24 de junho a 5 de julho – Inscrição
  • 24 de junho a 5 de julho – Solicitação de atendimento especializado
  • 8 a 12 de julho – Solicitação de atendimento pelo nome social
  • 15 de julho – Resultado da solicitação de atendimento especializado
  • 15 a 19 de julho – Recurso de solicitação de atendimento especializado
  • 18 de julho – Resultado da solicitação de atendimento pelo nome social
  • 24 de julho – Resultado do recurso da solicitação de atendimento especializado
  • 22 a 26 de julho – Recurso da solicitação de atendimento pelo nome social
  • 31 de julho – Resultado do recurso da solicitação de atendimento pelo nome social
  • Setembro – Divulgação do cartão de confirmação da inscrição
  • 15 de setembro – Aplicação

Cronograma Encceja Exterior PPL 2019

  • 24 de junho a 5 de julho – Inscrição
  • 16 a 27 de setembro – Aplicação

Mais informações no Edital Encceja Exterior 2019

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De cada 10 professores do fundamental, 4 não têm formação no que ensinam

Notícia originalmente postada no portal Educação, do UOL.
Por Ana Carla Bermúdez, do UOL.
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Imagem: Alex Almeida/Folhapress

Cerca de quatro em cada dez professores que davam aula para os anos finais do ensino fundamental (entre o 6º e o 9º ano) no Brasil em 2018 não tinham formação adequada para o que ensinavam. Isso corresponde, por exemplo, à situação de um professor formado em matemática, mas que acaba dando aulas de física.

O dado é do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019, divulgado hoje. Segundo o levantamento, 37,8% dos docentes dos anos finais do ensino fundamental não tinham licenciatura ou complementação pedagógica na área da disciplina pela qual eram responsáveis.

No ensino médio, esse índice ficou em 29,2% dos educadores. O indicador não foi considerado para os anos iniciais do ensino fundamental porque, nessa etapa, ainda não há uma divisão clara entre as disciplinas ensinadas para os alunos.

O anuário é resultado de uma parceria entre o movimento Todos pela Educação e a editora Moderna e tem como base microdados do Censo e dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, realizados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), além de outros levantamentos.

Baixos salários e poucas promoções

Para Thaiane Pereira, coordenadora de projetos no Todos pela Educação, a falta de formação específica dos professores é reflexo de vários fatores.

“Uma das coisas é quem a gente atrai para a carreira de professor. A gente vê que, na média, o Brasil vem atraindo [para a docência] quem tem as médias mais baixas no Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]”, afirma.

Segundo ela, o baixo salário, o conteúdo excessivamente teórico na formação inicial e a dificuldade em progredir na carreira dentro das redes de ensino são fatores que desestimulam os professores, que eventualmente acabam encontrando “outro caminho possível, que seja o de não dar aula”.

Dados do mesmo anuário mostram que, em 2018, o rendimento médio dos professores da educação básica correspondia a 69,8% do salário médio dos profissionais com curso superior. Comparando apenas com profissionais das áreas de exatas ou saúde, os professores recebem 50%.

“Isso se torna um ciclo, porque a carreira do professor é muito desvalorizada no Brasil”

Thaiane Pereira, coordenadora de projetos no Todos pela Educação

“As redes acabam ficando em uma situação difícil, de ter de escolher entre não ter professor para dar aula ou escolher outro professor que não é daquela disciplina”, afirma Pereira.

Base docente

A garantia da formação docente na educação básica é uma das 20 metas previstas pelo PNE (Plano Nacional da Educação), que completa cinco anos de vigência nesta terça (25).

Criado por lei em 2014, o PNE previa que, no ano seguinte, fosse assegurado a todos os docentes da educação básica uma formação específica de nível superior na área de conhecimento em que atuassem.

O MEC (Ministério da Educação) do ministro Abraham Weintraub tem em mãos, hoje, uma proposta de base nacional docente apresentada em dezembro de 2018 pelo então ministro Rossieli Soares.

O documento sugere uma avaliação anual para habilitação dos professores e a criação de um programa de residência pedagógica. A gestão de Weintraub ainda não informou se já analisou a proposta e se pretende realizar alterações nela.

“A partir do momento em que esses professores forem capacitados nas universidades em linha com essa base, a gente vai conseguir ter um grande salto. É uma das coisas que o governo federal precisa fazer, acelerar essa base”, defende Thaiane Pereira.

A falta de preparo específico dos professores, afirma, traz consequências para o aprendizado dos alunos. “Se ele [aluno] não aprende fração, muito dificilmente vai conseguir resolver uma equação lá na frente. Os professores têm papel crucial nisso, porque são os agentes que estão com os alunos.”

Outros dados do relatório:

  • Oferta de creches e desigualdade: enquanto somente 26% do quartil mais pobre da população frequenta creches, no quartil mais rico esse percentual é de 55%;
  • Alfabetização: apenas 14,1% das crianças do grupo de nível socioeconômico muito baixo possuem nível suficiente de alfabetização em leitura. Esse patamar é alcançado por 83,5% das crianças do grupo de nível socioeconômico muito alto;
  • Evasão escolar: o Brasil ainda tem 1,5 milhão de crianças e jovens (de 4 a 17 anos) fora da escola;
  • Ensino fundamental: apesar de o país atender 99,3% dos jovens de 6 a 14 nessa etapa de ensino, a conclusão na idade esperada está distante da ideal. Quase um quarto dos alunos termina o ensino fundamental com mais de 16 anos.
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Projeto Kaeru descrito em Japonês para a revista da Universidade de Waseda

Atendendo a solicitação do profº Fukushima (Departamento de Estudos de Ensino do Japonês na Universidade de Waseda), escrevemos um capítulo para a revista da Universidade contando um pouco de nossa experiência com o Projeto Kaeru. A versão impressa foi divulgada no começo do mês, além de disponibilizado versão online. Para ler seu conteúdo (em japonês) clique aqui.

 

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Livreto “Você tem alguma preocupação relacionada ao desenvolvimento de seus filhos?”

Fizemos a revisão dos termos técnicos do livreto de orientação a pais e profissionais de saúde sobre a questão dos distúrbios de desenvolvimento, na versão em português. Publicação do Kokuritsu Shougaisha Reabilitation Center (Centro Nacional de Reabilitação para Pessoas com Deficiência).

Para acessar seu conteúdo e baixar a versão em português, japonês, inglês, chinês e espanhol, clique aqui. (Site em japonês). Para saber mais, clique aqui.

Para baixar a versão em português e japonês, clique no botão abaixo:

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Quase um quarto dos jovens brasileiros não estuda nem trabalha

Segundo dados da Pnad, o porcentual é ainda mais alto na faixa etária que vai dos 18 aos 24 anos, idade em que, teoricamente, deveriam estar na universidade, chegando a 27,7%

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Em 2018, foi apresentado o novo regime da educação inclusiva. A falta de formação dos docentes — que é reconhecida pelos próprios nas respostas ao inquérito TALIS — pode colocar em causa os progressos alcançados, diz o presidente da associação Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial.

Por Rita Marques Costa, do portal Publico.pt
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PAULO PIMENTA

A preparação dos professores do ensino básico para lidar com alunos com necessidades especiais ainda fica aquém. E são os próprios a admiti-lo nas respostas ao inquérito TALIS (Teaching and Learning International Survey) 2018, publicado nesta quarta-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Só 30% tiveram formação sobre como lidar com estudantes com necessidades especiais no último ano e cerca de 27% dizem que é algo que lhes faz falta.

Os directores também o reconhecem. Metade dos inquiridos diz que a qualidade do ensino nas suas escolas é prejudicada pela falta de docentes com formação específica direccionada para crianças com necessidades especiais. Um número que está muito acima da média da OCDE: 32%.

Para o presidente da associação Pró-Inclusão, David Rodrigues, é “urgente que possamos desenvolver para o futuro um grande programa nacional, articulado e generalizado de formação para os professores”. Algo “que ainda não existe”.

“O que sabemos hoje é que, quando tomámos a decisão de educar todos os alunos da mesma escola, a formação [dos professores] foi claramente insuficiente”, acrescenta David Rodrigues. Para cumprir esse desígnio — “que é uma questão de direitos humanos” — é necessário um conjunto de recursos. Se não existirem, “as pessoas qualquer dia vão estar outra vez a pedir escolas de educação especial”. 

Então o que é preciso? “Desenvolver programas que tenham em conta a realidade da escola, que acompanhem o seu desenvolvimento ao longo do ano.”

No bom caminho

Mas há outra forma de olhar para os dados. As respostas ao TALIS foram dadas pelos professores entre Março e Maio de 2018. A resposta dada pela comunidade docente mostra que o Ministério da Educação está a ir no caminho certo, interpreta o secretário de Estado da Educação, João Costa. “Alegra-nos”, diz João Costa, porque “é um investimento que temos feito em termos de formação contínua”.

“O TALIS é o único estudo a nível internacional que é apenas a voz dos professores e dos directores. Não há dados fornecidos por governos. É um olhar sobre os sistemas educativos que vem dos profissionais”, refere o secretário de Estado da Educação, João Costa.

“Estamos a creditar a formação em educação inclusiva para todos os grupos de recrutamento. O TALIS ajuda-nos a definir prioridades de investimento. Agora, com turmas a funcionar em todo o país, continuamos a perceber que é das áreas em que temos de investir mais”, esclarece.

Em Portugal, cerca de 33% dos professores do básico trabalham em escolas onde mais de 10% dos alunos têm necessidades educativas especiais. No secundário o número é ainda menor: 21%.

As diferenças entre o básico e o secundário têm uma explicação possível, segundo João Costa: “No ano em que os professores foram inquiridos, em 2018, estávamos a viver no secundário uma lei que empurrava os alunos [com necessidades especiais] para o profissional. Este ano [há um novo regime de educação inclusiva] estamos a reduzir o número de alunos por turma também no científico-humanístico. Pode ser por isso que há essa representação.”

Tempo desperdiçado

Tarefas administrativas, como a distribuição de formulários ou a verificação de presenças, e o controlo do comportamento dos alunos ocupam, em média, um quarto da duração total das aulas no ensino básico. Esta proporção coloca Portugal entre os países e economias da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde se despende menos tempo em actividades de ensino e aprendizagem (73,5%). A média da OCDE é 78,1%. Os professores que mais dizem usar o tempo de aula para esse propósito estão na Rússia, Estónia e Vietname.

Ao PÚBLICO, João Costa, secretário de Estado da Educação e presidente do órgão de governação do TALIS, reconhece a questão do comportamento em sala de aula (e do tempo gasto a geri-lo) é uma dimensão “preocupante”. É algo que “tem de ser cruzado” com outras questões como “o envolvimento dos estudantes, as questões de disciplina, as questões de valorização geral dos professores e a relação com encarregados de educação”.

A utilização do tempo de aula para as tarefas ditas de aprendizagem está a diminuir. Nos últimos anos, esse tempo “diminuiu em cerca de metade dos países e economias participantes no TALIS”, adianta a OCDE. Em Portugal, a redução foi de dois pontos percentuais.

E o que explica esta tendência? Em parte, o número de alunos por turma. Ao analisar os dados do TALIS, a OCDE conclui que “quando os professores têm turmas maiores, tendem a gastar menos tempo de aula nas actividades de ensino e aprendizagem”.

Classe envelhecida

A OCDE volta a frisar que os professores portugueses estão entre os mais envelhecidos. Têm, em média, 49 anos — mais cinco do que a idade média dos docentes dos outros países e economias que participam no TALIS.

A organização sublinha ainda que, em 2018, 47% destes profissionais tinham 50 anos ou mais. Algo que se agravou desde 2013 e 2018, quando esta proporção se ficava pelos 28%. “Significa que Portugal vai ter de renovar cerca de um em cada dois membros da sua classe docente durante a próxima década”, diz a OCDE.

Para ler a matéria original, clique aqui.

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