Alunos brasileiros são colocados em classes especiais no Japão sem conhecimento dos pais

Notícia originalmente postada no Portal Alternativa Online.

O fato ocorre apesar de um aviso do governo dizendo que “as opiniões dos pais devem ser respeitadas na medida do possível”

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Tóquio – Muitas crianças estrangeiras no Japão estão sendo colocadas em classes especiais contra seus desejos em meio à falta de um consenso com escolas e médicos, devido à dificuldade de entender o idioma japonês. As informações são do jornal Mainichi.
O fato ocorre apesar de um aviso emitido pelo Ministério da Educação em 2013 sobre o local onde as crianças com dificuldade de aprendizagem devem estudar, afirmando que “as opiniões da criança e de seus pais devem ser respeitadas na medida do possível”.
Uma menina brasileira de 14 anos de idade, nascida no Japão e atualmente no segundo ano do ensino médio (koukou), foi colocada em uma classe de educação especial quando estava no primário (shougakkou), sem que sua mãe recebesse explicações suficientes.
A mãe da menina veio ao Japão há 15 anos e logo começou a trabalhar em uma fábrica de autopeças por cerca de 11 horas por dia. Ela não teve tempo suficiente para checar os trabalhos escolares da filha.
Um dia, quando a menina estava no quarto ano do primário, a mãe descobriu que ela não sabia fazer conta de multiplicação. “Você não aprendeu isso na escola?”, perguntou a mãe à filha, que respondeu: “Nós plantamos e colhemos batatas na escola.”
A escola alegou que estava educando de acordo com o nível das crianças e argumentou que a mãe assinou um documento dizendo que sua filha participaria de uma classe na qual matérias difíceis seriam ensinadas aos alunos individualmente.
Não houve teste de capacidade intelectual ou outro método de verificação realizado com antecedência, e a mãe pensou que a escola ensinaria tópicos que a filha tinha dificuldades em aprender.
No entanto, a menina não aprendeu quase nada. Mais tarde, quando ela se mudou para outra escola e fez um teste de capacidade intelectual no sexto ano, seu aprendizado era de uma criança de 6 ou 7 anos. Agora no ensino médio, ela permanece em uma classe de educação especial.
Uma brasileira que já se formou descreveu essas classes de educação especial como “campos de prisioneiros para brasileiros”, pois viu muitos amigos sendo incentivados a participar dessas aulas.
Um menino brasileiro de 8 anos, agora no terceiro ano do primário, foi aconselhado a participar de uma aula de educação especial no verão de 2017, quando estava no primeiro ano. A escola alegou que ele não ficava quieto, levantava-se da cadeira e andava durante as aulas.
Durante um teste de capacidade intelectual, descobriu-se que ele tinha um nível proporcional à sua idade, mas foi considerado inferior em relação às habilidades no idioma japonês. Sua mãe enfatizou que ele deveria frequentar uma classe comum na escola, mas seu professor permaneceu firme, dizendo que era uma “questão intelectual”.
As discussões continuaram, e o garoto entrou no segundo ano. Ele conseguiu um novo professor e parou de andar na sala de aula. A conversa sobre ele ingressar na educação especial cessou posteriormente. A mãe acha que o primeiro professor estava tentando levar seu filho para uma educação especial devido à incapacidade de instrui-lo.
O vice-diretor da escola disse que o aluno pode entrar em uma classe especial com base em exames e após o consentimento dos pais. Mas ele mesmo reconheceu: “Quando o número de estrangeiros aumenta em uma classe, o progresso de aprendizado dos estudantes japoneses fica atrasado. Na medida do possível, os estudantes estrangeiros devem ir às classes especiais para serem ensinados individualmente.”
Mesmo quando se reconhece que uma criança tem uma deficiência, há casos em que os pais não recebem explicações suficientes sobre os testes de capacidade intelectual.
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Toyota paralisa fábricas no sudoeste do Japão por causa de inundações

A Agência Meteorológica emitiu alerta máximo para fortes chuvas

Crédito: Masamichi Maeda, com Reuters – 28/08/2019 – Quarta, 14:28h
Notícia originalmente postada no site Alternativa Online.

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Kodomo Shokudo: ação social e voluntária que salva as crianças

Notícia originalmente postada no Portal Mie

Apesar do Japão ser uma nação desenvolvida há crianças de famílias em estado de pobreza. A existência do Kodomo Shokudo ajuda e muito!

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Local onde as crianças podem ir sozinhas para receber refeição e socializar (divulgação)

Para compreender o que é Kodomo Shokudo (こども食堂), o conceito é proporcionar local para servir refeição a zero iene ou de baixíssimo custo, onde qualquer criança possa ir sozinha.

Não existe uma definição rígida. Há refeitórios onde mãe e filhos podem ir, crianças cujos pais trabalham até tarde, enfim, depende dos voluntários locais. Há outros onde voluntários auxiliam nas tarefas e há também os que oferecem lazer e brincadeiras antes e depois das refeições. O estilo é livre, sem amarras.

Esses refeitórios são de grande ajuda para as crianças e, desde 2012, quando começaram os primeiros, vêm aumentando a cada ano. São criados e mantidos por voluntários do bairro, em uma grande ação social recebendo contribuições para a manutenção.

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Gráfico mostra o aumento do Kodomo Shokudo a cada ano (divulgação)

Segundo a ONG Musubie, que abriga todos esses refeitórios do arquipélago, em 2019 o número subiu para 3.718 ou 160% a mais que o ano anterior.

Importância do refeitório na pobreza infantil
Atualmente há 19.892 escolas primárias em todo o Japão. A intenção é chegar a ter um refeitório da criança, na tradução livre, em cada bairro onde há escola. Assim, todos os pequenos poderão ter acesso a esse benefício.

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A refeição aquece o estômago e o coração da criança (divulgação)

Em números Tóquio, Osaka e Kanagawa são as províncias com mais refeitórios. Mas em proporção às escolas as províncias de Okinawa (61%), Shiga (53%), Tóquio (37%) e Tottori (35%) são as que mais oferecem o serviço nos bairros.

Okinawa é a província com maior índice de pobreza infantil do país, chegando a 30%. Para ter uma ideia é 1,8 vez maior do que a média das demais províncias.

Na província são 41 cidades, vilas e vilarejos, sendo que em 26 há 134 refeitórios da criança, portanto ainda há muito o que fazer em Okinawa.

Efeitos positivos do Kodomo Shokudo
As crianças têm um local para ir, melhoram o relacionamento interpessoal, observa-se melhoria no aprendizado, além do aumento do senso de autoeficácia. Também, tem ficado claras as mudanças positivas na relação pais e filhos.

Por tudo isso a ONG informou que pretende continuar firmemente no propósito pois foram constatados efeitos positivos para as crianças e suas famílias.

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Voluntários providenciam local, preparam comida e atendem as crianças (divulgação)

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Eventos do Brasil e do Japão: Moldes dos livros de feltro

Lembram-se do evento de lançamento no Japan House dos livros de eventos, confeccionados em feltro pelas mãos de dezenas de voluntários? Sim, um trabalho coordenado pela Fundação Japão e Projeto Kaeru.

A pedidos, estamos disponibilizando agora, os moldes em pdf para que todos os interessados possam confeccionar. Bom trabalho!!!

Eventos do Japão:

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Eventos do Brasil:

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Os problemas enfrentados pelo Japão por ter restringido de maneira dura a imigração

Notícia originalmente postada no portal bbc.com
Por
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A incorporação de estrangeiros à força de trabalho no Japão é crucial para reduzir o déficit de trabalhadores

Quando o então primeiro-ministro japonês Yasuhiro Nakasone afirmou em 1986 que o nível intelectual nos Estados Unidos era inferior ao de seu país porque havia uma grande população de negros, porto-riquenhos e hispânicos, suas palavras causaram polêmica entre os americanos.

No Japão, por outro lado, seu comentário (que certamente hoje nenhum governante faria, ao menos publicamente) passou praticamente despercebido. E essa relutância em aceitar pessoas diferentes é algo que foi – e, em menor grau, ainda é – enraizado na sociedade japonesa.

Em parte por causa de seu status como uma ilha, o Japão sempre tendeu ao isolacionismo, e mantém hoje o orgulho de ser uma nação homogênea construída em torno de uma rígida política de imigração.

Enquanto os imigrantes representam 28% da população da Austrália, quase 21% no Canadá e mais de 14% no Reino Unido, são apenas 1,9% dos 126,2 milhões de habitantes do Japão.

Embora essa situação esteja mudando, muitos dos problemas que afligem o país, como o envelhecimento da população, a queda na taxa de fecundidade, a escassez de trabalhadores e a baixa participação das mulheres no mercado profissional, têm se agravado com a falta de imigrantes, argumenta o historiador e cientista americano Jared Diamond em seu último livro Upheaval: How Nations Cope with Crisis and Change (Turbulência: como as nações lidam com crise e mudança, em tradução livre).

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Encceja Exterior 2019: Inscrição de 24 de junho até 5 de julho de 2019

Estão disponíveis o cronograma e as regras do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para residentes no exterior (Encceja Exterior).

O Encceja Exterior é para quem busca a certificação do ensino fundamental ou do ensino médio por não ter tido a oportunidade de concluir os estudos na idade adequada deve ficar atento.

Quem pode participar do Encceja?

Os interessados em tentar o certificado do ensino fundamental devem ter, no mínimo, 15 anos de idade, completos na data da prova. Já para o certificado do ensino médio, a idade mínima exigida é 18 anos.

Inscrição Encceja Exterior 2019

As inscrições, gratuitas, poderão ser feitas de 24 de junho até 5 de julho de 2019, pela internet, no Sistema Encceja Exterior (sistemasEncceja2.inep.gov.br/exterior/)

Provas Encceja Exterior

As provas serão aplicadas no dia 15 de setembro em 18 cidades, de 12 países que são  Bélgica (Bruxelas); Espanha (Barcelona e Madri); Estados Unidos (Boston, Houston, Nova Iorque e Miami); França (Paris); Guiana Francesa (Caiena); Holanda (Amsterdã); Itália (Roma); Japão (Nagoia, Hamamatsu e Tóquio); Portugal (Lisboa); Reino Unido (Londres), Suíça (Genebra) e Suriname (Paramaribo).

Estrutura das Provas

São quatro provas objetivas, cada uma com 30 questões de múltipla escolha, e uma redação. Para a certificação do ensino fundamental, o participante é avaliado em Ciências Naturais; Matemática; Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Artes, Educação Física e Redação; e História e Geografia.

Para o ensino médio, as áreas avaliadas são Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; Linguagens e Códigos e suas Tecnologias e Redação; e Ciências Humanas e suas Tecnologias.

Certificação ou Declaração de Proficiência

A nota mínima exigida é de 100 pontos nas provas objetivas e de 5 pontos na redação. Os resultados do Encceja podem ser usados de duas formas.

O participante que conseguir a nota mínima exigida nas quatro provas objetivas e na redação tem direito à Certificação de Conclusão de Ensino Fundamental ou do Ensino Médio. Já o participante que conseguir a nota mínima exigida em uma das quatro provas, ou em mais de uma, mas não em todas, tem direito à Declaração Parcial de Proficiência.

Encceja Exterior PPL

O edital também apresenta as regras e o cronograma do exame para jovens e adultos submetidos a penas privativas de liberdade no exterior, o Encceja Exterior PPL (Penas Privativas de Liberdade). Nesse caso, a aplicação será apenas em unidades prisionais de Tóquio, no Japão, de 16 a 27 de setembro.

Cronograma Encceja Exterior 2019

  • 24 de junho a 5 de julho – Inscrição
  • 24 de junho a 5 de julho – Solicitação de atendimento especializado
  • 8 a 12 de julho – Solicitação de atendimento pelo nome social
  • 15 de julho – Resultado da solicitação de atendimento especializado
  • 15 a 19 de julho – Recurso de solicitação de atendimento especializado
  • 18 de julho – Resultado da solicitação de atendimento pelo nome social
  • 24 de julho – Resultado do recurso da solicitação de atendimento especializado
  • 22 a 26 de julho – Recurso da solicitação de atendimento pelo nome social
  • 31 de julho – Resultado do recurso da solicitação de atendimento pelo nome social
  • Setembro – Divulgação do cartão de confirmação da inscrição
  • 15 de setembro – Aplicação

Cronograma Encceja Exterior PPL 2019

  • 24 de junho a 5 de julho – Inscrição
  • 16 a 27 de setembro – Aplicação

Mais informações no Edital Encceja Exterior 2019

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De cada 10 professores do fundamental, 4 não têm formação no que ensinam

Notícia originalmente postada no portal Educação, do UOL.
Por Ana Carla Bermúdez, do UOL.
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Imagem: Alex Almeida/Folhapress

Cerca de quatro em cada dez professores que davam aula para os anos finais do ensino fundamental (entre o 6º e o 9º ano) no Brasil em 2018 não tinham formação adequada para o que ensinavam. Isso corresponde, por exemplo, à situação de um professor formado em matemática, mas que acaba dando aulas de física.

O dado é do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019, divulgado hoje. Segundo o levantamento, 37,8% dos docentes dos anos finais do ensino fundamental não tinham licenciatura ou complementação pedagógica na área da disciplina pela qual eram responsáveis.

No ensino médio, esse índice ficou em 29,2% dos educadores. O indicador não foi considerado para os anos iniciais do ensino fundamental porque, nessa etapa, ainda não há uma divisão clara entre as disciplinas ensinadas para os alunos.

O anuário é resultado de uma parceria entre o movimento Todos pela Educação e a editora Moderna e tem como base microdados do Censo e dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, realizados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), além de outros levantamentos.

Baixos salários e poucas promoções

Para Thaiane Pereira, coordenadora de projetos no Todos pela Educação, a falta de formação específica dos professores é reflexo de vários fatores.

“Uma das coisas é quem a gente atrai para a carreira de professor. A gente vê que, na média, o Brasil vem atraindo [para a docência] quem tem as médias mais baixas no Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]”, afirma.

Segundo ela, o baixo salário, o conteúdo excessivamente teórico na formação inicial e a dificuldade em progredir na carreira dentro das redes de ensino são fatores que desestimulam os professores, que eventualmente acabam encontrando “outro caminho possível, que seja o de não dar aula”.

Dados do mesmo anuário mostram que, em 2018, o rendimento médio dos professores da educação básica correspondia a 69,8% do salário médio dos profissionais com curso superior. Comparando apenas com profissionais das áreas de exatas ou saúde, os professores recebem 50%.

“Isso se torna um ciclo, porque a carreira do professor é muito desvalorizada no Brasil”

Thaiane Pereira, coordenadora de projetos no Todos pela Educação

“As redes acabam ficando em uma situação difícil, de ter de escolher entre não ter professor para dar aula ou escolher outro professor que não é daquela disciplina”, afirma Pereira.

Base docente

A garantia da formação docente na educação básica é uma das 20 metas previstas pelo PNE (Plano Nacional da Educação), que completa cinco anos de vigência nesta terça (25).

Criado por lei em 2014, o PNE previa que, no ano seguinte, fosse assegurado a todos os docentes da educação básica uma formação específica de nível superior na área de conhecimento em que atuassem.

O MEC (Ministério da Educação) do ministro Abraham Weintraub tem em mãos, hoje, uma proposta de base nacional docente apresentada em dezembro de 2018 pelo então ministro Rossieli Soares.

O documento sugere uma avaliação anual para habilitação dos professores e a criação de um programa de residência pedagógica. A gestão de Weintraub ainda não informou se já analisou a proposta e se pretende realizar alterações nela.

“A partir do momento em que esses professores forem capacitados nas universidades em linha com essa base, a gente vai conseguir ter um grande salto. É uma das coisas que o governo federal precisa fazer, acelerar essa base”, defende Thaiane Pereira.

A falta de preparo específico dos professores, afirma, traz consequências para o aprendizado dos alunos. “Se ele [aluno] não aprende fração, muito dificilmente vai conseguir resolver uma equação lá na frente. Os professores têm papel crucial nisso, porque são os agentes que estão com os alunos.”

Outros dados do relatório:

  • Oferta de creches e desigualdade: enquanto somente 26% do quartil mais pobre da população frequenta creches, no quartil mais rico esse percentual é de 55%;
  • Alfabetização: apenas 14,1% das crianças do grupo de nível socioeconômico muito baixo possuem nível suficiente de alfabetização em leitura. Esse patamar é alcançado por 83,5% das crianças do grupo de nível socioeconômico muito alto;
  • Evasão escolar: o Brasil ainda tem 1,5 milhão de crianças e jovens (de 4 a 17 anos) fora da escola;
  • Ensino fundamental: apesar de o país atender 99,3% dos jovens de 6 a 14 nessa etapa de ensino, a conclusão na idade esperada está distante da ideal. Quase um quarto dos alunos termina o ensino fundamental com mais de 16 anos.
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