Japão quer receber mais imigrantes para conter escassez de mão de obra

Por Antonio Hermosín, da EFE

Consciente de que a imigração é um tema delicado, o governo japonês optou por um enfoque discreto e pragmático

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“O Japão quer trabalhadores imigrantes, mas não deseja ter uma ampla comunidade de estrangeiros residindo a longo prazo”, afirmou acadêmico (Getty/Getty Images)

Tóquio – No Japão há cada vez mais estrangeiros que trabalham em bares e restaurantes ou como vendedores e enfermeiros, devido à gradual abertura de um país pressionado pela falta de mão de obra e onde a imigração continua sendo um tabu.

O país, historicamente blindado, registrou um acentuado aumento no número de empregados estrangeiros durante os últimos anos por causa de medidas específicas do governo para satisfazer a demanda mão de obra, uma tendência que se reforçará ainda mais com uma nova legislação.

No Japão havia 1,28 milhão de trabalhadores estrangeiros em 2017, o que representa 2% da mão de obra total e o dobro do registrado cinco anos antes, segundo dados do Executivo, que, no entanto, mantêm o país como uma das nações desenvolvidas com menor proporção de empregados estrangeiros.

O governo liderado pelo conservador Shinzo Abe acaba de desenvolver uma reforma legislativa destinada a aumentar esse número em 500 mil pessoas até 2025, mediante a flexibilização de requisitos de entrada e de residência para trabalhadores estrangeiros pouco qualificados.

Esta medida entrará em vigor em 2019 e tem como objetivo principal atrair mais imigrantes do sudeste asiático a setores como agricultura, enfermagem, construção, cuidado de idosos e trabalho doméstico.

Além de um crescente encarecimento da mão de obra – em junho foi registrado o número recorde de 162 ofertas de emprego para cada 100 pessoas que procuram trabalho -, o acelerado envelhecimento da população do país e sua baixa natalidade preocupam a terceira maior economia mundial.

No ano passado, até 114 companhias japonesas foram obrigadas a interromper suas atividades por falta de trabalhadores, segundo dados da empresa de consultoria Teikoku Data Bank, 44% a mais do que em 2016 e o maior número dos últimos cinco anos.

“Aceitar mais trabalhadores estrangeiros é o mais lógico, dada a situação no Japão e o panorama futuro”, disse Yoshimitsu Kobayashi, presidente do sindicato Keizai Dokuyai, em entrevista coletiva em Tóquio.

Consciente de que a imigração é um tema delicado para uma sociedade pouco acostumada a conviver com estrangeiros, o governo optou por um enfoque discreto e pragmático, com ações pontuais dirigidas a cobrir a demanda laboral, e que ao mesmo tempo mantém fortes barreiras para a permanência dos imigrantes.

Organizações humanitárias e especialistas criticaram esta estratégia feita sob medida das empresas e da conjuntura econômica, e assinalam a ausência de políticas destinadas a fomentar a integração dos imigrantes e a permitir sua estadia no país a longo prazo.

“O governo carece na realidade de uma política migratória. Simplesmente improvisa medidas em função da necessidade em cada momento, e não tem um plano em nível nacional de assistência social para os imigrantes”, afirmou à Agência Efe Jeff Kingston, diretor de Estudos da Ásia da Universidade Temple do Japão.

O acadêmico define esta estratégia como “de usar e descartar”: “O Japão quer trabalhadores imigrantes, mas não deseja ter uma ampla comunidade de estrangeiros residindo a longo prazo”, explicou Kingston.

A nova legislação que entrará em vigor em 2019 ilustra perfeitamente esta ideia, já que permitirá estender de cinco para dez anos os vistos de trabalho para estrangeiros pouco qualificados, embora sem possibilidade de conceder a eles a residência permanente e sem permitir que tragam suas famílias ao Japão.

Em uma situação também delicada estão muitos dos aproximadamente 260 mil jovens estrangeiros residentes no Japão com visto de estudante, um status que limita seus horários de trabalho e que foi objeto de vários casos de exploração e outras práticas abusivas.

Apesar da progressiva abertura do Japão, a imigração continua sem fazer parte do debate político, o que também significa que nenhum partido é “abertamente xenofóbico ou anti-imigração, como acontece em alguns países da Europa e nos Estados Unidos”, destacou Kingston.

Para acessar a matéria original, postada no site da Exame, clique aqui.

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Como convencer as crianças a cuidarem da higiene pessoal?

Segundo a psicóloga Rosely Sayão, ensinar o conceito do autocuidado é mais importante do que seguir diariamente as regras de higiene pessoal

psicóloga Rosely Sayão recebeu, nesta semana, uma pergunta da paulistana Beatriz Corregiari, mãe de um menino de 3 anos, que está preocupada com a higiene pessoal do filho, que não a deixa escovar os seus dentes. Segundo Beatriz, ou ela força o pequeno ou precisa recorrer à chantagem: guarda os brinquedos até que ele ceda. A psicóloga explica que é difícil convencer as crianças dessa idade a escovar os dentes porque elas não entendem a concepção de higiene pessoal. “É uma obrigação que eles têm de cumprir sem saber por quê”, diz Rosely.

Por isso, segundo a psicóloga, mais importante do que a higiene da criança ser impecável, é ela aprender o conceito de autocuidado. “O princípio da higiene ligado ao conceito de saúde é mais importante que a regra de todo o dia. Não tem problema em quebrar um princípio”.

Mas, para conseguir cuidar da higiene dos pequenos, Rosely aconselha os pais a derem “um caráter lúdico” aos atos de limpeza pessoal para tornar a situação agradável aos filhos.

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Nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal

Por Otávio Pinheiro, da Folha

Saber ler e interpretar é questão de sobrevivência e amplia nossos horizontes

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Ana Moioli, 18, tirou nota máxima na redação do Enem em 2016 – Marcus Leoni – 10.mar.16/Folhapress

A pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional, conduzida pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa, aponta que apenas 22% dos brasileiros que chegaram à universidade têm plena condição de compreender e se expressar.

Na prática, esses jovens adultos estão no chamado nível proficiente – o mais avançado estágio de alfabetismo. São leitores capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Mais ainda, compreendem e elaboraram textos de diferentes modalidades (email, descrição e argumentação) e estão aptos a opinar sobre um posicionamento ou estilo de autores de textos.

Em contrapartida, a pesquisa de 2016 aponta que 4% dos universitários estão no grupo de analfabetos funcionais.

Na análise do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), a distância do Brasil em relação a outros países é imensa. Os dados de 2016 colocam luz sobre um dos problemas cruciais da educação brasileira, visto que indicam que entre os 70 países avaliados, o Brasil fica na posição 59 em termos de leitura e interpretação.

Com todas as evidências e dados, é hora de colocar a escrita, a leitura e a interpretação como bandeira em todos os níveis da sociedade. A capacidade de comunicação e a linguística são habilidades complexas do ser humano e, para exercitar, precisamos de estímulos, referências e políticas de estado que deem prioridade a estes aspectos educacionais.

A leitura nos leva a aprender, a sonhar e a ter experiências de lógica, além de vivências criativas que mudam vidas. A vida é construída com falas, recepção, risos, sarcasmos, fábulas. Também é construída a partir do entendimento daquilo que é diferente, entendimento do outro.

Quando converso com professores, empresários, pais e mães –ou seja, com várias matrizes da sociedade–, todos falam que um número expressivo de pessoas tem dificuldades de escrita, leitura e interpretação. Em muitos casos, o mundo fica difícil de ser interpretado.

Espinhoso e polêmico, o problema da educação no Brasil não será resolvido com uma bala de prata, uma única iniciativa. Deve-se pensar em soluções integradas como a Olimpíada Brasileira de Redação, que estimula a mobilização de todos os estudantes do país.

É preciso que os processos de recrutamento das empresas deem mais valor para atividades que incluam o texto como avaliação. E também contar com os negócios de impacto social focados em educação para endereçarem soluções viáveis.

Como educador, tenho acompanhado com perplexidade que nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal na história da humanidade. Como empreendedor da Redação Online –primeira edutech acelerada na Estação Hack, iniciativa do Facebook em parceria com a Artemisia– defendo que o empreendedorismo de impacto social é uma importante ferramenta para vencer esse desafio de melhorar o letramento dos brasileiros.

A Redação Online é uma solução que viabiliza correções de redações preparatórias para Enem, vestibulares e concursos, com qualidade e em escala nacional. São 32 mil estudantes atendidos, sendo 35% oriundos de escolas públicas.

Em 2018, tivemos a alegria de ter, entre os alunos, 120 aprovados em medicina, a maioria deles vindos de escolas públicas. Em locais como Ilha de Marajó, com acesso de internet difícil, a solução comprova o impacto social. Com um upload rápido, o aluno pode baixar o conteúdo em uma área com wi-fi, por exemplo. É diferente da aula online que requer um serviço de internet melhor.

A cada dez alunos do Redação Online, oito aumentaram as próprias notas em até 400 pontos. Hoje, temos uma rede de 600 revisores em todo o Brasil que, além da correção ortográfica, traçam comentários sobre como melhorar, dicas de livros e links de conteúdo.

Defendo que saber ler e interpretar é questão de sobrevivência. O prazer de ler, escrever e interpretar amplia nossos horizontes, amplifica a nossa imaginação e nos liberta de preconceitos, extremismos e opiniões fundamentalistas.

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Era uma vez… Tanabata e as representações femininas nas fábulas japonesas

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A partir de 7 de julho um espaço temático será montado na Biblioteca da Fundação Japão em São Paulo com foco no Tanabata, e também serão apresentadas as principais princesas que representam as fábulas japonesas como: Orihime, Kaguyahime e Otohime.

Será uma oportunidade para os visitantes familiarizarem com o significado de um dos tradicionais eventos japoneses e algumas das fábulas que envolvem as princesas.

 

De 7 de julho (sábado) a 31 de agosto (sexta) de 2018

Horários:
• Terça a sexta das 10h30 às 19h30
• Sábados, das 9h às 17h

Local:
Biblioteca da Fundação Japão em São Paulo

Endereço:
Avenida Paulista, 52 – 3º andar, São Paulo-SP, Brasil

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Artigo: aumenta número de crianças brasileiras com distúrbios de desenvolvimento no Japão.

Autismo (1)

Após uma série de 10 artigos publicados no Jornal Asahi, do Japão sobre a questão da educação das crianças brasileiras naquele país, saíram outras duas recentemente, abordando uma questão bastante preocupante: o aumento de crianças com “distúrbios de desenvolvimento” e como essa questão vem sendo conduzida, assunto que também é foco de pesquisas do Projeto Kaeru no Japão.

Os artigos (em japonês somente) podem se visualizados nos links abaixo:

Para ler a matéria 1, clique aqui.

Para ler a matéria 2, clique aqui.

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Autismo no Japão

O CIATE em parceria com o Consulado Brasileiro de Nagoya realizou uma série de entrevistas sobre o autismo do Japão. O resultado pode ser conferido no vídeo abaixo:

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Aconteceu: Festa Junina – origens, crendices e comidas típicas

No último domingo, dia 17, aconteceu o workshop de Festa Junina do Projeto Kaeru. O evento contou com as crianças, pais e colaboradores do Projeto. Após as explicações iniciais sobre higiene e procedimentos sobre como lidar  com os alimentos, mãos à obra! Todos se empenharam para fazer os quitutes que foram saboreados no final, após a história sobre as origens da festa e suas crendices.

confiram as fotos e as receitas de tudo o que fizemos estão aqui também!!

Receitas do evento:

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