Número de estudantes estrangeiros em escolas públicas que não possuem conhecimento em japonês atinge recorde.

Por Reiji Yoshida e Mizuho Aoki, do Japan Times.

O número de crianças não japonesas em escolas públicas que não possuem conhecimento em japonês e que precisam de aulas de reforço atingiu número recorde de 34.335 em maio do ano passado, segundo último levantamento feito pelo ministério da educação.

Os números, 17,6% maiores que o último levantamento feito em 2014, contabilizam 42,9 porcento dos 80.119 alunos não japoneses em escolas públicas elementares, colegiais e outras instituições públicas no país, de acordo com o levantamento.

O Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia conduziu o estudo, cobrindo cerca de 35.000 escolas públicas. O levantamento levou em conta crianças que não conseguem manter um diálogo simples em japonês e/ou aqueles que tem dificuldade em aprender na escola, devido a falta de conhecimento da língua japonesa.

Das 34.335 crianças, quase 77% delas tem lições extras de japonês, número 6 pontos percentuais menor que do último levantamento.

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“Aplicamos diversas medidas, como treinar professores e lecionar palestras sobre a língua japonesa nas escolas. Mas os números de crianças (estrangeiras) tem crescido tão rápido que tem sido difícil acompanhar o ritmo,” diz Yasuhiro Obata, diretor da Divisão de Educação Internacional do Ministério, em conversa por telefone com o Japan Times.

Das diversas línguas faladas pelos estudantes do exterior, português está no topo da lista, com 8.779 crianças, seguido por chinês com 8.204, filipino com 6.283, espanhol com 3.600, Vietnamita com 1.515 e inglês com 982 crianças, segundo levantamento.

Por província, Aichi está no topo da lista com 7.277 crianças não japonesas que não possuem conhecimentos da língua japonesa, seguido por Janagawa com 3.947 crianças, Tokyo com 2.932, Shizuoka com 2.673 e Osaka com 2.275.

Durante os anos 90, o Japão passou por escassez de mão de obra, o que facilitou o visto de entrada para Japoneses-Brasileiros. Isso explica porque há tantas pessoas que falam português e seus filhos agora vivem no Japão.

Muitos trabalharam em fábricas das províncias de Aichi e Shizuoka.

O estudo também encontrou 9.612 crianças que possuem cidadania japonesa, porém possuem pouco conhecimento da língua japonesa, necessitando de aulas extras de japonês.

Entre a maioria destes que possuem cidadania japonesa, mas que tinham dificuldade em falar a língua japonesa, um ou ambos os pais não são japoneses ou então moravam em outros países e recentemente voltaram pro Japão.

De acordo com o estudo, 2.491 escolas disseram não poder oferecer aulas de japonês para estas crianças por não contarem com professores de língua japonesa.

Obata também notou que o estudo mostrou um desequilíbrio no número de crianças em zonas rurais e urbanas.

Escolas em áreas como Aichi, Kanagawa, Shizuoka, Osaka, Mie, Tokyo e Saitama tem um grande número de crianças estrangeiras com dificuldade em falar a língua japonesa, enquanto em muitas outras áreas, cada escola possui apenas uma ou duas crianças em situação semelhante, diz Obata.

“Não podemos lidar com esta situação de maneira uniforme através do país,” ele disse.

Em algumas áreas com muitos alunos estrangeiros, escolas precisam de assistência da comunidade local para ensinar Japonês para crianças, ele disse.

Noriko Hazeki, diretora da organização sem fins lucrativos Multicultural Center Tokyo, disse que muitas escolas ainda não possuem recursos para auxiliar crianças que não conseguem falar, ler ou escrever em japonês.

Algumas pessoas visitaram o centro para buscar ajuda depois das escolas públicas rejeitarem seus filhos por baixo conhecimento da língua japonesa. Com frequência, eles instruem os pais para que os filhos adquiram conhecimentos básicos da língua japonesa antes, ela disse.

“Existe uma realidade de que muitas crianças não podem adentrar a escola primária ou secundária se elas não conseguirem falar japonês”, diz Hazeki. “Isso porque estas escolas não possuem sistema para auxiliar tais crianças que não entendem japonês.”

Tais crianças com frequência não tem opção, senão aprender o básico de japonês em escolas de línguas ou aulas providenciadas por grupos sem fins lucrativos antes de entrarem no sistema público, diz Hazeki.

“Claro que algumas escolas oferecem um ótimo auxílio. Mas como um todo, o Japão não possui sistema de auxílio suficiente para crianças não Japonesas,” diz Hazeki.

“Existe um grande número de cursos de línguas no Japão para crianças estrangeiras, mas o Japão em si não possui um sistema bem estabelecido que treine pessoas que possam ensinar japonês a essas crianças em nível primário e secundário,” diz Hazeki. “É importante estabelecer tal sistem e providenciar professores mais profissionais.”

Matéria traduzida do Japan Times, para acessar a matéria original, clique aqui.

Você pode acessar o estudo feito pelo ministério da educação japonesa (em japonês), clicando aqui.

Este conteúdo – assim como as respectivas imagens, vídeos e áudios – é de autoria e responsabilidade dos autores.
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