Por 9 votos a 2, Supremo não reconhece ensino domiciliar

Por 9 votos a 2, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta quarta-feira (12) não reconhecer o ensino domiciliar de crianças, conhecido como “homeschooling”. Conforme o entendimento da maioria, a Constituição prevê apenas o modelo de ensino público ou privado, cuja matricula é obrigatória, e não há lei que autorize a medida.

O julgamento começou na semana passada, quando o relator do caso, ministro Luís Roberto Barroso, votou a favor do ensino domiciliar. Para ele, alguns pais preferem comandar a educação de seus filhos diante das políticas públicas ineficazes na área de educação, dos resultados na qualidade no sistema de avaliação básica, além de convicções religiosas.

Barroso também citou que o modelo de “homeschooling” está presente nos Estados Unidos, Finlândia e Bélgica, entre outros países. “Sou mais favorável à autonomia e emancipação das pessoas do que ao paternalismo e às intervenções do Estado, salvo onde eu considero essa intervenção indispensável”, argumentou.

Votos Divergentes

Na sessão desta quarta, o julgamento foi concluído com os votos dos demais ministros. Primeiro a votar, Alexandre de Moraes abriu a divergência e entendeu que o ensino domiciliar não está previsto na legislação: “O ensino familiar exige o cumprimento de todos os requisitos constitucionais. Não é vedado o ensino em casa desde que respeite todos os preceitos constitucionais. Há necessidade de legislação”.

O ministro Ricardo Lewandowski também entendeu que não é possível que os pais deixem de matricular os filhos nas escolas tradicionais. Segundo ele, “razões religiosas não merecem ser aceitas” pelo Judiciário para que os pais possam educar os filhos em casa. O ministro argumentou que os pais “não podem privar os filhos de ter acesso ao conhecimento” na escola tradicional.

“Não há razão para tirar das escolas oficiais, públicas ou privadas, em decorrência da insatisfação de alguns com a qualidade do ensino”, afirmou Lewandowski.

Os ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio e a presidente, Cármen Lúcia, também votaram no mesmo sentido. Fachin acompanhou em parte o relator.

Entenda o caso

O caso que motivou o julgamento ocorreu com o microempresário Moisés Dias e sua mulher, Neridiana Dias. Em 2011, o casal decidiu tirar a filha de 11 anos da escola pública em que estudava no município de Canela (RS), a aproximadamente 110 quilômetros de Porto Alegre, e passar a educá-la por conta própria.

Eles alegaram que a metodologia da escola municipal não era adequada por misturar, na mesma sala, alunos de diferentes séries e idades, fugindo do que consideravam um “critério ideal de sociabilidade”. O casal disse que queria afastar sua filha de uma educação sexual antecipada por influência do convívio com colegas mais velhos.

A família também argumentou que, por ser cristã, acredita no criacionismo – crença segundo a qual o homem foi criado por Deus à sua semelhança – e por isso “não aceita viável ou crível que os homens tenham evoluído de um macaco, como insiste a Teoria Evolucionista [de Charles Darwin]”, que é ensinada na escola.

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Novo limite de idade não deve valer para quem está na escola

Por Renata Cafardo, do Estadão

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Um parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) apresentado nesta quarta-feira (12) determina que só as crianças que vão entrar na escola em 2019 sigam a nova norma para corte etário. Quem já está matriculado, no ensino infantil ou fundamental, não seria afetado. Em agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os alunos só poderiam entrar no 1.º ano com 6 anos completos até 31 de março.

Com a indefinição de como deveriam proceder, muitas escolas passaram a tomar decisões por conta própria. A confusão aconteceu principalmente em São Paulo, onde as redes particular e pública aceitam estudantes nascidos até 30 de junho. Como a organização da educação infantil é feita respeitando esse corte, a nova norma atinge todas as crianças com menos de 6 anos.

A publicitária Maria Cecília Buffardi, de 35 anos, foi avisada que a filha Helena, de 1 ano, não passaria para o ano letivo seguinte com o grupo. Isso porque ela faz aniversário em junho. “A escola até disse que eu poderia aceitar ou não, mas fiquei sem saber o que fazer, tenho medo que minha filha vá retroagir”, conta. A produtora cultural Flavia Barion, de 41 anos, cogita mudar as filhas de escola, caso elas sejam retidas. “O problema não é repetir o ano, mas ver os outros amigos indo para a frente e ela não.” Olivia, de 4 anos, e Sofia, de 6, também nasceram depois da data de corte nova – e antes da antiga.

“Temos recebido várias manifestações. É preciso deixar claro que a criança tem o direito à continuidade do percurso educacional e não pode ser separada do seu grupo”, diz o conselheiro Cesar Callegari. Segundo ele, só em casos excepcionais, em que há avaliação de problemas de desenvolvimento, pode haver a retenção. “Não pode ser por uma conveniência administrativa ou da família.” O documento deve passar por votação nesta quinta-feira, 13, no CNE, mas, segundo a reportagem apurou, há consenso no órgão em aprová-lo.

Depois disso, o parecer precisará ser homologado pelo Ministério da Educação (MEC). O CNE ainda avalia pendências judiciais para garantir a nova norma. Há uma sentença de um juiz do Pará que pede que se exclua a nova data. A intenção da decisão do STF e do conselho é a de uniformizar a regra. Muitos Estados já seguem a data de 31 de março, mas outros determinam 31 de dezembro.

Especialistas em educação infantil defendem a nova data de corte para impedir que crianças passem quase metade do 1.º ano do fundamental com 5 anos. “O importante até essa idade são as experiências que a criança vivencia, projetos, brincadeiras” diz a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Mônica Baptista.

Para ela, não haveria problema em deixar a criança um ano a mais. “Não está ali para aprender Matemática, Português… Não há conteúdos que iriam se repetir.” No entanto, Mônica reconhece que nem todas as escolas oferecem educação infantil da maneira considerada adequada. Por isso, acredita, a saída mais fácil é a de mudar a norma apenas para alunos novos.

A editora Soraia Curi, de 40 anos, disse que ficou aliviada de ser avisada pela escola que a filha Lorena, de 3, ficaria mais um ano na educação infantil. “Não quero apressar nada, não quero que seja alfabetizada aos 5 anos e perca as atividades lúdicas.”

Escolas Estaduais

O governo informou que vai matricular normalmente as crianças nas escolas estaduais usando o corte antigo, de junho, até que haja definição do CNE e do Conselho Estadual de Educação (CEE). A Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar) também fará o mesmo. Depois de aprovado o parecer, o CEE precisa emitir uma norma para São Paulo, já que a atual prevê o corte em junho. Segundo a presidente, Bernadete Gatti, essa discussão deve ocorrer nas próximas semanas. O órgão está com oito membros a menos há dois meses, por mandato vencido, e espera que o governador Márcio França faça nomeações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Leia a matéria original, no Estadão clicando aqui.

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Quarta geração precisará de ‘mentor local’ para morar no Japão

Governo japonês abre aos yonsei residência no país; requisitos dificultam pedido de visto

por Ana Estela de Sousa Pinto, da Folha
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Aluna de curso de japonês da Aliança Cultural Brasil-Japão faz exercícios (Carvalho / Folhapress)

Para poder embarcar, o yonsei precisa ter entre 18 e 30 anos, não pode levar a família e deve apresentar certificado de domínio básico do idioma japonês.

Também é preciso ter um “assistente de recepção” no Japão, que ao menos uma vez por mês vai verificar as “condições de vida” e de trabalho do brasileiro (veja lista completa de requisitos ao final do texto).

Os yonsei que conseguirem preencher os requisitos vão reforçar um movimento crescente de brasileiros de segunda e terceira geração (nissei e sansei) que estão se mudando para o Japão.

Também está em alta a busca por cursos intensivos e exames de proficiência.

Desde que o governo japonês aprovou o programa para yonsei, triplicou a procura pelo J.Test, um dos exames de língua japonesa reconhecidos pelo Japão. De 15 interessados na edição de maio deste ano, o número chegou a 43 para a prova que acontece no dia 9 de setembro, diz a representante do exame no Brasil, Jaqueline Nabeta. Postulantes ao visto de yonsei são a maioria: 30 candidatos.

O JLPT, outro exame reconhecido pelo governo, é realizado apenas uma vez por ano, em dezembro.

O gestor de RH Alex Fujimoto, 28, está com tudo encaminhado para ser o primeiro yonsei a pedir o visto: aprovado no J.Test, espera entregar nesta semana a documentação. Solteiro, vai trabalhar num mercado de produtos brasileiros em Toyota, onde já mora sua mãe e outros 6.261 brasileiros, segundo dados de 2017.

Alex diz concordar com a lista de exigências: “Quem vai sem se preparar enfrenta muitos problemas. E saber o idioma permite obter um emprego melhor”.

Embora a obrigatoriedade de comprovar o domínio da língua se aplique apenas aos de quarta geração, descendentes nissei e sansei também têm lotado salas de aula em entidades como a Aliança Cultural Brasil-Japão.

A demanda levou a escola, a maior da América Latina, a testar pela primeira vez um curso superintensivo, que comprime dois anos em um semestre. Uma nova turma já tem início confirmado para outubro.

Todas as noites de segunda a quinta, é nesse curso que se encontram os sansei Adriana Lieko Ideyama, 30, engenheira de produção, e Marcelo Akimitsu Arakaki, 27, formado em contabilidade.

Mesmo sem necessidade de atestado, eles querem evitar repetir os passos dos primeiros decasséguis, que chegaram ao Japão sem qualificação e se viram limitados a empregos de longas jornadas em fábricas.

“Muitos dos novos emigrantes têm nível universitário e esperam galgar cargos nas empresas onde vão trabalhar. Não vão se aventurar sem saber se comunicar”, diz o presidente da Aliança, Yokio Oshiro.

Já para os yonsei, o domínio do idioma é uma obrigação que não termina com a obtenção do visto. Ao final de cada ano, será preciso provar progressos no conhecimento da língua e da cultura japonesa.

No final do primeiro ano, a pessoa terá que ser aprovada no equivalente ao nível 3 do JLPT, que exige dominar sutilezas como a forma correta de se dirigir a superiores.

No terceiro ano, precisará do certificado nível 2, para o qual é preciso conhecer cerca de mil ideogramas, ou obter habilitações para atividades como ikebana (arranjos de flores), judô ou cerimônia do chá.

“Além disso, deverá ter se estabelecido como membro da comunidade local, através da participação contínua em atividades promovidas por governos locais, em atividades sociais promovidas por moradores da região etc.”, detalha o governo japonês.

No máximo, poderá ficar cinco anos no Japão.

O novo programa do governo japonês, que vai admitir até 4.000 yonsei por ano (de qualquer nacionalidade), coincide com um momento de falta de mão de obra no país, principalmente em setores como construção —pressionado pelas obras da Olimpíada de Tóquio, em 2020—, agricultura, indústria naval e cuidado de idosos.

No texto em que detalha as novas regras, o governo japonês diz que o objetivo do programa é “transformar o yonsei em uma ponte entre o Japão e a comunidade nikkei [descendente de japoneses] de seu país”.

Na prática, quer evitar dificuldades de integração encontradas pelas gerações anteriores.

Pesquisa divulgada pelo Ministério da Educação do Japão em 2017 mostrava que 8.779 crianças brasileiras tinham problemas para acompanhar as aulas (um quarto dos alunos estrangeiros com dificuldades). A taxa de crianças brasileiras diagnosticadas com autismo no Japão é o triplo da registrada entre japoneses, e o diagnóstico retira os alunos do estudo regular para sempre.

Como as novas regras proíbem a viagem com a família, os yonsei não devem passar por problemas semelhantes. Mas parte das suas expectativas pode ser frustrada, afirma o advogado Masato Ninomiya, presidente do Ciate (Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior).

Em enquete recente da entidade, descendentes disseram esperar salários de US$ 2.000 (o equivalente a dois mínimos japoneses, ou cerca de R$ 8.000, pelo câmbio atual).

É um valor equivalente ao que recebiam decasséguis nos anos 2000 —quando chegaram a somar 320 mil, o dobro do número atual. “Mas isso não existe mais”, afirma Ninomiya. “Cresceu muito o número de imigrantes chineses, vietnamitas e filipinos, dispostos a trabalhar por salários menores.

Segundo ele, nas funções menos qualificadas, o ganho está perto de US$ 1.300, “se o trabalhador aceitar o turno noturno e fizer horas extras”.

O advogado ressalva, porém, que o Japão está criando cotas de imigração para trabalhadores qualificados (engenheiros, profissionais de TI, cozinheiros, por exemplo), independentemente de serem ou não descendentes de japoneses.

Quarta geração precisa cumprir requisitos

O que estabelece o programa do Japão para yonsei

Para obter o primeiro visto (máximo de um ano)

  • idade entre 18 e 30 anos
  • não ter ficha criminal
  • ter plano de saúde
  • ;não levar a família
  • comprovar poupança própria ou emprego previsto
  • ter quantia para cobrir custos da viagem de volta
  • comprovar proficiência básica do idioma
  • ter um “assistente de recepção” (empresa ou entidade)
  • serão fornecidos no máximo 4.000 vistos por ano (independentemente da nacionalidade do yonsei)

Para permanecer no Japão e renovar o visto (máximo de 5 anos)

  • fazer ao “assistente de recepção” relatórios mensais sobre aprendizado da cultura japonesa e situação de trabalho
  • passar em exames de domínio do idioma em níveis intermediário (2º ano) e intermediário avançado (3º ano)
  • obter habilitação em atividades da cultura japonesa, como artes marciais, artes manuais ou cerimônia do chá, ao final do terceiro ano
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Dia 28 de agosto – dia do voluntário

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A cada um que de alguma maneira contribui para o funcionamento do Projeto Kaeru dispendendo tempo e energia com seu trabalho voluntário, nosso muito obrigado por nos fazer existir!

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Workshop de Crochê e Tricô

No último sábado, dia 25, aconteceu o  workshop de crochê e tricô, onde as crianças atendidas e convidados aprenderam a fazer bolsas, cachecóis, enfeites, entre outros.

Confira as fotos do evento:

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Só 4 em 10 estudantes da rede pública miram diploma universitário

Na rede privada, relação é de 7 para 10; dados são de um questionário de 2015

por Érica Fraga, da Folha

Apenas 4 em cada 10 alunos brasileiros de 15 ou 16 anos que frequentam escolas públicas esperam concluir um dia o ensino superior convencional —com, no mínimo, quatro anos de duração— ou uma pós-graduação. Entre os estudantes da rede privada, a relação salta para quase 7 em 10.

Esse retrato emerge dos questionários que os adolescentes do país preencheram ao realizar o último Pisa, teste internacional de aprendizagem, em 2015, segundo levantamento inédito do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional).

Qual das seguintes etapas você espera completar?*

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*O levantamento foi realizado a partir de informações de 17.523 alunos de 15 ou 16 anos, representativos de todos os estados brasileiros, divididos da seguinte forma: 15.087 de escolas públicas e 2.346 de escolas privadas. Outros 527 são estudantes de escolas particulares, mas com nível socioeconômico similar ao dos alunos da rede pública **Cursos de graduação de, no mínimo, quatro anos de duração Fonte: Estudo feito pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) a partir de dados do Pisa referentes a 17.523 alunos de 15 ou 16 anos, representativos de todos os estados brasileiros.

Diferenças de oportunidades ao longo da infância e da adolescência levam os jovens brasileiros a desenvolverem níveis distintos de aspiração. Isso ajuda a criar um hiato de expectativas em relação à formação educacional.

Entre os alunos de escolas públicas, 38% se consideram ambiciosos. Nas particulares, o percentual sobe para 55%. As informações de 17.523 alunos colhidas pelo Iede na base de dados da OCDE (organização responsável pelo Pisa) mostram a cadeia de fatores que explicam esse quadro. O nível socioeconômico da família de uma criança costuma ter grande influência sobre seu futuro. Pesquisas mostram que a escolaridade dos pais é um dos determinantes da aprendizagem dos filhos.

Para ler a matéria completa, clique aqui.

 

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Japão quer receber mais imigrantes para conter escassez de mão de obra

Por Antonio Hermosín, da EFE

Consciente de que a imigração é um tema delicado, o governo japonês optou por um enfoque discreto e pragmático

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“O Japão quer trabalhadores imigrantes, mas não deseja ter uma ampla comunidade de estrangeiros residindo a longo prazo”, afirmou acadêmico (Getty/Getty Images)

Tóquio – No Japão há cada vez mais estrangeiros que trabalham em bares e restaurantes ou como vendedores e enfermeiros, devido à gradual abertura de um país pressionado pela falta de mão de obra e onde a imigração continua sendo um tabu.

O país, historicamente blindado, registrou um acentuado aumento no número de empregados estrangeiros durante os últimos anos por causa de medidas específicas do governo para satisfazer a demanda mão de obra, uma tendência que se reforçará ainda mais com uma nova legislação.

No Japão havia 1,28 milhão de trabalhadores estrangeiros em 2017, o que representa 2% da mão de obra total e o dobro do registrado cinco anos antes, segundo dados do Executivo, que, no entanto, mantêm o país como uma das nações desenvolvidas com menor proporção de empregados estrangeiros.

O governo liderado pelo conservador Shinzo Abe acaba de desenvolver uma reforma legislativa destinada a aumentar esse número em 500 mil pessoas até 2025, mediante a flexibilização de requisitos de entrada e de residência para trabalhadores estrangeiros pouco qualificados.

Esta medida entrará em vigor em 2019 e tem como objetivo principal atrair mais imigrantes do sudeste asiático a setores como agricultura, enfermagem, construção, cuidado de idosos e trabalho doméstico.

Além de um crescente encarecimento da mão de obra – em junho foi registrado o número recorde de 162 ofertas de emprego para cada 100 pessoas que procuram trabalho -, o acelerado envelhecimento da população do país e sua baixa natalidade preocupam a terceira maior economia mundial.

No ano passado, até 114 companhias japonesas foram obrigadas a interromper suas atividades por falta de trabalhadores, segundo dados da empresa de consultoria Teikoku Data Bank, 44% a mais do que em 2016 e o maior número dos últimos cinco anos.

“Aceitar mais trabalhadores estrangeiros é o mais lógico, dada a situação no Japão e o panorama futuro”, disse Yoshimitsu Kobayashi, presidente do sindicato Keizai Dokuyai, em entrevista coletiva em Tóquio.

Consciente de que a imigração é um tema delicado para uma sociedade pouco acostumada a conviver com estrangeiros, o governo optou por um enfoque discreto e pragmático, com ações pontuais dirigidas a cobrir a demanda laboral, e que ao mesmo tempo mantém fortes barreiras para a permanência dos imigrantes.

Organizações humanitárias e especialistas criticaram esta estratégia feita sob medida das empresas e da conjuntura econômica, e assinalam a ausência de políticas destinadas a fomentar a integração dos imigrantes e a permitir sua estadia no país a longo prazo.

“O governo carece na realidade de uma política migratória. Simplesmente improvisa medidas em função da necessidade em cada momento, e não tem um plano em nível nacional de assistência social para os imigrantes”, afirmou à Agência Efe Jeff Kingston, diretor de Estudos da Ásia da Universidade Temple do Japão.

O acadêmico define esta estratégia como “de usar e descartar”: “O Japão quer trabalhadores imigrantes, mas não deseja ter uma ampla comunidade de estrangeiros residindo a longo prazo”, explicou Kingston.

A nova legislação que entrará em vigor em 2019 ilustra perfeitamente esta ideia, já que permitirá estender de cinco para dez anos os vistos de trabalho para estrangeiros pouco qualificados, embora sem possibilidade de conceder a eles a residência permanente e sem permitir que tragam suas famílias ao Japão.

Em uma situação também delicada estão muitos dos aproximadamente 260 mil jovens estrangeiros residentes no Japão com visto de estudante, um status que limita seus horários de trabalho e que foi objeto de vários casos de exploração e outras práticas abusivas.

Apesar da progressiva abertura do Japão, a imigração continua sem fazer parte do debate político, o que também significa que nenhum partido é “abertamente xenofóbico ou anti-imigração, como acontece em alguns países da Europa e nos Estados Unidos”, destacou Kingston.

Para acessar a matéria original, postada no site da Exame, clique aqui.

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Como convencer as crianças a cuidarem da higiene pessoal?

Segundo a psicóloga Rosely Sayão, ensinar o conceito do autocuidado é mais importante do que seguir diariamente as regras de higiene pessoal

psicóloga Rosely Sayão recebeu, nesta semana, uma pergunta da paulistana Beatriz Corregiari, mãe de um menino de 3 anos, que está preocupada com a higiene pessoal do filho, que não a deixa escovar os seus dentes. Segundo Beatriz, ou ela força o pequeno ou precisa recorrer à chantagem: guarda os brinquedos até que ele ceda. A psicóloga explica que é difícil convencer as crianças dessa idade a escovar os dentes porque elas não entendem a concepção de higiene pessoal. “É uma obrigação que eles têm de cumprir sem saber por quê”, diz Rosely.

Por isso, segundo a psicóloga, mais importante do que a higiene da criança ser impecável, é ela aprender o conceito de autocuidado. “O princípio da higiene ligado ao conceito de saúde é mais importante que a regra de todo o dia. Não tem problema em quebrar um princípio”.

Mas, para conseguir cuidar da higiene dos pequenos, Rosely aconselha os pais a derem “um caráter lúdico” aos atos de limpeza pessoal para tornar a situação agradável aos filhos.

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Nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal

Por Otávio Pinheiro, da Folha

Saber ler e interpretar é questão de sobrevivência e amplia nossos horizontes

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Ana Moioli, 18, tirou nota máxima na redação do Enem em 2016 – Marcus Leoni – 10.mar.16/Folhapress

A pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional, conduzida pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa, aponta que apenas 22% dos brasileiros que chegaram à universidade têm plena condição de compreender e se expressar.

Na prática, esses jovens adultos estão no chamado nível proficiente – o mais avançado estágio de alfabetismo. São leitores capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Mais ainda, compreendem e elaboraram textos de diferentes modalidades (email, descrição e argumentação) e estão aptos a opinar sobre um posicionamento ou estilo de autores de textos.

Em contrapartida, a pesquisa de 2016 aponta que 4% dos universitários estão no grupo de analfabetos funcionais.

Na análise do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), a distância do Brasil em relação a outros países é imensa. Os dados de 2016 colocam luz sobre um dos problemas cruciais da educação brasileira, visto que indicam que entre os 70 países avaliados, o Brasil fica na posição 59 em termos de leitura e interpretação.

Com todas as evidências e dados, é hora de colocar a escrita, a leitura e a interpretação como bandeira em todos os níveis da sociedade. A capacidade de comunicação e a linguística são habilidades complexas do ser humano e, para exercitar, precisamos de estímulos, referências e políticas de estado que deem prioridade a estes aspectos educacionais.

A leitura nos leva a aprender, a sonhar e a ter experiências de lógica, além de vivências criativas que mudam vidas. A vida é construída com falas, recepção, risos, sarcasmos, fábulas. Também é construída a partir do entendimento daquilo que é diferente, entendimento do outro.

Quando converso com professores, empresários, pais e mães –ou seja, com várias matrizes da sociedade–, todos falam que um número expressivo de pessoas tem dificuldades de escrita, leitura e interpretação. Em muitos casos, o mundo fica difícil de ser interpretado.

Espinhoso e polêmico, o problema da educação no Brasil não será resolvido com uma bala de prata, uma única iniciativa. Deve-se pensar em soluções integradas como a Olimpíada Brasileira de Redação, que estimula a mobilização de todos os estudantes do país.

É preciso que os processos de recrutamento das empresas deem mais valor para atividades que incluam o texto como avaliação. E também contar com os negócios de impacto social focados em educação para endereçarem soluções viáveis.

Como educador, tenho acompanhado com perplexidade que nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal na história da humanidade. Como empreendedor da Redação Online –primeira edutech acelerada na Estação Hack, iniciativa do Facebook em parceria com a Artemisia– defendo que o empreendedorismo de impacto social é uma importante ferramenta para vencer esse desafio de melhorar o letramento dos brasileiros.

A Redação Online é uma solução que viabiliza correções de redações preparatórias para Enem, vestibulares e concursos, com qualidade e em escala nacional. São 32 mil estudantes atendidos, sendo 35% oriundos de escolas públicas.

Em 2018, tivemos a alegria de ter, entre os alunos, 120 aprovados em medicina, a maioria deles vindos de escolas públicas. Em locais como Ilha de Marajó, com acesso de internet difícil, a solução comprova o impacto social. Com um upload rápido, o aluno pode baixar o conteúdo em uma área com wi-fi, por exemplo. É diferente da aula online que requer um serviço de internet melhor.

A cada dez alunos do Redação Online, oito aumentaram as próprias notas em até 400 pontos. Hoje, temos uma rede de 600 revisores em todo o Brasil que, além da correção ortográfica, traçam comentários sobre como melhorar, dicas de livros e links de conteúdo.

Defendo que saber ler e interpretar é questão de sobrevivência. O prazer de ler, escrever e interpretar amplia nossos horizontes, amplifica a nossa imaginação e nos liberta de preconceitos, extremismos e opiniões fundamentalistas.

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Era uma vez… Tanabata e as representações femininas nas fábulas japonesas

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A partir de 7 de julho um espaço temático será montado na Biblioteca da Fundação Japão em São Paulo com foco no Tanabata, e também serão apresentadas as principais princesas que representam as fábulas japonesas como: Orihime, Kaguyahime e Otohime.

Será uma oportunidade para os visitantes familiarizarem com o significado de um dos tradicionais eventos japoneses e algumas das fábulas que envolvem as princesas.

 

De 7 de julho (sábado) a 31 de agosto (sexta) de 2018

Horários:
• Terça a sexta das 10h30 às 19h30
• Sábados, das 9h às 17h

Local:
Biblioteca da Fundação Japão em São Paulo

Endereço:
Avenida Paulista, 52 – 3º andar, São Paulo-SP, Brasil

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